terça-feira, 2 de agosto de 2011

30 de Julho

Hoje há 87 anos atrás, meu pai Hygino e minha mãe Assunta, se casaram e permaneceram juntos para sempre.
Naquela época era tão diferente, pelos relatos dos dois, muito aprendi com eles.
Meu pai um jovem carpinteiro, era empregado de uma grande oficina de São Carlos, cujo dono era Germano Fehr. Depois partiu para ser autônomo, montando a sua própria oficina, que funcionava no quintal, enorme, da nossa casa. Tinha vários empregado, sendo minha mãe sua ajudante mor.
Minha mãe, jovem de 17 anos, precisou pedir autorização para se casar, pois na época só se casavam aos 18 anos. Era dona de casa, e com o que meu pai ganhava, dava para o sustento dos dois. Sempre nos dizia que só cozinhava com azeite Galo, que até hoje é encontrado no comércio. Meu pai muito ciumento não deixava minha mãe sair de casa. Era baixa, tinha 1,55m de altura e pesava 49 kg. Uma vez ela por economia fez a manga do vestido mais curta, com isso uma pinta do seu braço esquerdo ficou aparecendo, ele proibiu que ela usasse novamente. Era extrovertida, faladeira, falava italiano corretamente, o que fazia meu pai “gemer” de ciúme. Meu pai era mais alto, bem magro também, era o que se podia dizer hoje um “mauricinho”, suas calças justas de flanela (lã importada) botas bem engraxadas, pois recebia todo mimo da sua mãe e de sua tia Domingas, que praticamente o criou, pois seus pais Maria e Luigi moravam em Monjolinho, cidade próxima a São Carlos.
Ele havia prometido, durante o noivado, que passeariam muito, iriam ao cinema etc. Essas eram as promessas que jamais foram cumpridas, ou por trabalho ou por falta de dinheiro.
Depois começaram a chegar os filhos Maria de Lourdes, apelido Lô, e que minha tia Domingas queria que se chamasse Genoveva, santa padroeira de Paris.
Depois veio a Mildred Domingas, nome escolhido pelos meus tios José e Rolando. Meu tio José tinha uma namorada na Itália que se chamava Deda, que seria o apelido, o tio Rolando achava o nome diferente e bonito, de uma atriz famosa na época. Deda, o apelido permaneceu, acho até engraçado quando alguém a chama de Dona Mildred.
Milton nasceu forte e robusto e era bem danado. Lembro-me dos coelhos que ele criava num dos cantos do quintal, e também quando subia na mangueira que ficava bem ao fundo do quintal de nossa casa, e com um guarda-chuva aberto, descia de “paraquedas”, caindo num monte de cinzas (palhas queimadas dos colchões que eram reformados).
Depois de mim, nasceu o Gininho. Lembro-me da minha mãe grávida, do seu carrinho azul marinho com rodas enormes. Seu nome seria Marco Antonio, mas ao nascer minha madrinha Angélica estava presente, e disse: O Gininho acaba de nascer! Teu nome ficou Hygino Antonio.
Cresceu também danado, e eu o ensinei a escrever seu nome, com carvão em uma cabeceira da cama toda entalhada, que eu havia queimado numa das nossas brincadeiras.
Como vêem, fazemos parte de uma família que viveu, conviveu e hoje estamos prestando essa simples homenagem.

MRBC

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