sexta-feira, 20 de dezembro de 2013


Meu Senhor,

Depois de atribulações e trabalho, o ano está no final.

Fazendo um balanço de tudo, me vem a mente muita alegria: Sofia, Eduardo e Felipe vieram para dar frescor a nossa família. Obrigada...

Nos tornamos melhores com a presença dos três anjinhos que vieram preencher as nossas vidas.

 Na manjedoura do meu coração quero neste Natal instalar meus três bisnetos. Nele encontrarão tudo o que necessitam: quietude, conforto, acolhida e luz, muita luz, da estrela guia que brilha com mais potência.

Que este lugar reservado a poucos, que eles tenham o 1º Natal cheio de carinho.

Com meus braços estendidos estou pronta para acolhê-los. Sejam para sempre bem vindos.

  Amém!
 
MRBC

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Aquela casa da esquina

            Espanto inicial, emoção enorme no final! Tudo aconteceu assim tão inesperadamente, que jamais poderia supor que teria uma revelação tão maravilhosa.
            Desde criança para mim, aquela casa era mal assombrada. Casa enorme de esquina estilo bem antigo, para a época; sua construção deveria ter sido belíssima, mas naquele tempo, que me chamou atenção, era velha, as venezianas com tábuas soltas pela calçada, o alpendre com ladrilhos gastos, sem brilho, a mobília de madeira esbranquiçada pelo tempo. Era o que meu irmão e eu apreciávamos pelo lado de fora.
            Perto de minha casa há umas duas quadras, quando tínhamos meu irmão e eu passar por ela, íamos pela outra calçada, nossos olhos curiosos e temerosos sempre procurávamos perceber algo diferente. Assim crescemos com aquela mesma impressão.
            Hoje, após vinte anos de ausência, já adulta, vivida, tornei a passar por aquela casa. Ela continua lá, com o mesmo aspecto de abandono, velha, mas havia gente morando nela ainda.
            Dona Tereza nossa antiga vizinha foi nos visitar. Conversa vai, conversa vem, lembrei que ela morava bem mais próxima daquela casa “mal assombrada”. Ela conhecia os moradores daquela casa.
            – Dona Tereza nos conte alguma coisa sobre os moradores daquela casa que para nós, meu irmão e eu, era “mal assombrada”.
            Contei a ela os nossos medos, que sempre que passávamos por ela, sempre íamos pelo outro lado da calçada.
            Foi então que ela cheia de emoção começou a falar.
            – Naquela casa morava a mãe e quatro filhos cegos.
            Contou-nos ainda que aquela mãe com toda sabedoria, e coragem educou aqueles filhos, se tornaram adultos, ela mesmo os alfabetizou, com ela morava também uma sobrinha de olhos grandes, tristes, magrinha (me lembrei dela menina como eu, nas missas domingueiras).
            O que me deixou perplexa foi a continuação daquela revelação.
            Dona Tereza continuou falando:
            – Eu toda semana vou até lá levar comunhão para todos. No início, eu achei que eu iria lá para confortar, animar e levar uma palavra. Ledo engano!
            Ao contrário acontece quando vou até lá. Aquela mãe me encanta, e me admirei muito quando ela disse que seus filhos não felizes e que são operários. Operários? Sim operários de Nossa Senhora!
            Aquela mãe começou ensinando seus filhos a orar e o serviço deles era orar pelas pessoas que passavam por lá e pediam oração, sabedores do que ocorria dentro daquela casa.
            Meu queixo caiu! Como não conhecemos nada!
            Hoje, eles oram o dia todo. Os padres, bispos da diocese vão até lá para pedir orações, como muitas outras pessoas. E tem mais... Uma vez por mês os padres vão até aquela casa celebrar missa para a família e os vizinhos.
            Como fiquei naquela cidade só dois dias mais, não pude visitar aquela casa.
            Combinei que em outra oportunidade irei até lá, acompanhada pela Dona Tereza.
            Como fiquei emocionada ao conhecer e perceber a sabedoria e a firmeza daquela mãe. Ao invés de se desesperar consegui fazer de seus quatro filhos cegos, pessoas dignas, felizes e que tinham uma profissão: operários de Nossa Senhora!
            Continuando a revelação, ainda naquele dia nos contou que eles cantam muito e que nas horas de refeição, ela coloca uma corda na cintura dela e seus filhos apoiados na corda com suas mãos, chegam, guiados por ela até a mesa. Ela vai a frente e eles a seguem!
            Seguir esta mulher deve ser algo de divino, algo tão surpreendente e forte, que muitos de nós deveríamos conhecê-la, usufruir de sua amizade.
            Tenho certeza, que quando passar novamente por aquela casa acharei aquela casa encantadoramente bela, fantástica! Dentro dela, agora eu sei que habita um ser iluminado, inesquecível, uma mãe memorável.
            A ela, hoje singelamente, curvo a minha cabeça e lhe presto esta simples homenagem.
            Se no mundo existissem outras mães como ela, tudo se transformaria, o mundo seria melhor e tudo se tornaria novo!

MRBC

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Horário de verão! Para os que precisam trabalhar bem cedo, ele não agrada muito.
A noite demora a chegar, então há um descompasso no organismo.
Antigamente, havia as frutas da época, só aproveitávamos a laranja até o dia de São João, 24 de junho, depois elas não eram mais usadas, passada a época não era mais indicado o seu consumo.
O abacaxi em janeiro, mangas no final do ano,como também as uvas. Com isso nosso organismo tinha descanso, e para cada época recebia o que precisava. Hoje com os adubos e fertilizantes, as frutas aparecem durante todo o ano. E nosso organismo? Há tanta gastrite, enterite, apendicite etc., que confundem não só a nossa cabeça como todo o nosso corpo.
As “engenhocas” às vezes nos assustam. Que saudade daquele tempo onde nos reuníamos uma vez ao ano, para que as famosas pamonhas fossem feitas e consumidas.
Haverá um tempo, que espero que não seja distante, as pessoas perceberão que passaram pela vida e não viveram, apenas encontraram enfado, tristeza e solidão. Até quando?
Nada se compara a olhar nos olhos do outro, perceber a emoção, ás vezes, as lágrimas. Pessoas que retiraram suas máscaras e livremente resolveram assumí-las, vivenciá-las.
Viver é mágico! Nada se compara, parar, refletir e usufruir de tudo que nos é oferecido. Viver é benção, é apaixonante!
Queira Deus de que quando e passar dessa para outra, eu tenha levado comigo a certeza de um viver pleno e carregado de significado. Nada foi perdido, nada ficou em débito, só houve ganhos e alegria, aliás, muita alegria!

MRBC

sexta-feira, 22 de novembro de 2013


            Hoje ninguém tem tempo, tudo pronto se encontra a venda. Que pena, as casas já não cheiram bolo, bolachinhas com aquele perfume que penetra em nossas narinas. Agora, passaram o perfume, a ser vendido essências em recipientes de plásticos, é só abrir e sentir o aroma.
            Nossa, a pressa é tanta que se fabrica tudo: bolo, massas, guloseimas, ninguém se atreve a aprender a cozinhar e sentir alegria em preparar os quitutes.
            A cozinha que era o centro da casa, ficou esquecida. Hoje os quartos trancados são o Ó! Nele, isolados, trancados se ‘deliciam” com as noticias do ipad, iphone, ai, ai, ai...
Até quando não sei, o que sei é que o egoísmo e a solidão vão graçando nas pessoas, são companheiras inseparáveis. Andar sem o celular ou e outros que tais, são imagens raras...


MRBC

terça-feira, 6 de agosto de 2013

  Meu ofício de "escrevente" voltou a se estabelecer na minha vida, no meu trabalho.
  Escrever além de ser um prazer, dá oportunidade de me expressar de uma forma concreta não oralizada.
  Tarde morna de inverno, quando a preguiça nos pega desprevinidos, dando uma mornidão desconcertante e também a vontade de fazer nada.
  Fazer nada, não é possível. Os neuronios estão em plena conexão e assim não escrever parece que estou travada. Preciso me desinstalar e começar a comparecer em lugares nunca vivenciados, para poder apreciar e relatar o que ele me retrata, o que é interessante como também os meus sentimentos que precisam desabrochar.
  A caneta, às vezes, titubeia por falta de treinamento, deixando a letra sem forma.
  Escrevo por que gosto, escrevo por que preciso, escrevo por um prazer que nada se compara.
  Meus dedos presos a caneta fazem o seu papel, deixando que as letras, as palavras povoam os espaços vazios e brancos.
  Cada dia mais que passa, os anos vão transcorrendo e a idade vai avançando, sem darmos pela coisa.
  Escrevo por que quero é como o meu respirar meu transpirar por isso escrevo...

  MRBC