Uma das mais remotas lembranças da minha meninice, foi quando consegui ler e entender a história da Branca de Neve. Aos 7 anos estando no 2º ano, fiquei radiante! Naquele dia, porém, minha mãe que por anos a fio, leu histórias para mim, havia saído. Não lembro o motivo de sua saída, mas, na porta de casa eu a esperava. A noite estava começando a chegar, quando ela chegou e não pude conter a alegria de lhe dizer o que li e entendi daquela história.
Após muitos e muitos anos os fatos marcantes de nossa vida, jamais são esquecidos.
Lembrei-me da minha primeira professora Irmã Maria Rosa, quando aos 5 anos fui “alfabetizada”, decorava tudo e lia correntemente. No 1º ano eu era praticamente alfabetizada, então minha professora Dona Adelaide, gorda e baixinha me colocava no final da sala para eu ajudar meus colegas que tinham dificuldades.
Lembro-me perfeitamente quando minha mãe nos contava, para nós filhos, a escola que estudava na Itália, de como era o ensino, dos seus amigos etc. Durante toda nossa infância ela lia e relia o livro Cuore (Coração) de Edmundo de Amicis, que todos nós ainda o sabemos de cor.
O ano passado, quando houve aqui em Ribeirão a Feira do Livro, comprei um exemplar do livro, completamente diferente, ilustrado, lindo! Um fato ocorreu e não o consegui ler. A cada palavra, lágrimas escorriam de meus olhos, lágrimas de saudades daquele tempo, lágrimas de saudades da minha mãe. Hoje, permanece na estante e não, ainda consigo lê-lo ou revê-lo, já que o conheço de cor.
Um fato a ressaltar, com apenas 7 anos eu ensinava aos meus colegas, nascendo ali a minha verdadeira profissão: ser professora.
MRBC